Terapia da Fala

Especialidade disponível em:

Cantanhede, Montemor-O-Velho

O Terapeuta da Fala é o profissional a quem compete a prevenção, avaliação, diagnóstico, tratamento e estudo científico da comunicação humana e das perturbações a ela associadas ao nível da fala e da linguagem mas também relacionadas com as funções auditiva, visual, cognitiva, oro-muscular, respiratória, deglutição e voz.
De facto, a comunicação engloba todas as funções associadas à compreensão e à expressão da linguagem oral e escrita, assim como todas as formas de comunicação não verbal e, nesse sentido, a intervenção da terapia da fala, para ser bem-sucedida, tem de abordar todas essas componentes da comunicação.
O papel da terapia da fala aplica-se no campo da linguagem, tratando situações de afasia (perturbação da linguagem resultante de lesão neurológica), atrasos no desenvolvimento da linguagem, perturbações específicas da linguagem falada e escrita, e no campo da fluência/voz, intervindo nas perturbações articulatórias (substituições, omissões ou outros erros no discurso das crianças), na disartria (perturbação da fala resultante de lesão neurológica), na apraxia (dificuldade em executar movimentos neuromusculares necessários à produção da fala), na disfluência (gaguez) e na disfonia (perturbação da qualidade vocal caracterizada por rouquidão, esforço vocal, maus hábitos vocais, má utilização do aparelho vocal).
A terapia da fala é ainda útil na abordagem e tratamento de problemas da deglutição, como a disfagia (dificuldade em engolir líquidos e sólidos).

Áreas de intervenção

Perturbações dos Sons da Fala (PSF)
As PSF dizem respeito a dificuldades que a criança apresenta relacionadas com a articulação, programação motora dos sons da fala ou fonologia, sendo que o seu diagnóstico acontece quando a produção da criança não corresponde ao esperado para a sua faixa etária. Estas podem abranger: a perturbação articulatória, o atraso fonológico, a perturbação fonológica (consistente ou inconsistente) e, ainda, a apraxia do discurso.

Perturbações da Linguagem
Uma perturbação da linguagem afeta as capacidades compreensivas e/ou expressivas da linguagem oral ou escrita, podendo envolver a forma (fonologia, morfologia e sintaxe), o conteúdo (semântica) e o isso da linguagem (pragmática). Esta pode-se subdividir numa Perturbação da Linguagem Primária (não decorrente de um diagnóstico clínico) ou Perturbação da Linguagem Secundária (decorrente de um diagnóstico clínico – por exemplo: deficiência, perturbação do espetro do autismo).

Linguagem no adulto
As alterações de linguagem também podem ocorrer em idade adulta, sendo neste caso, considerada uma patologia adquirida decorrente de uma lesão cerebral (por exemplo: AVC, tumores, traumatismo crânio-encefálico), sendo a mais comum a Afasia (esta perturbação pode afetar a compreensão e/ou expressão), onde as suas consequências afetam não só o utente, mas também familiares e amigos.

Voz
O uso inapropriado da voz pode originar diferentes patologias vocais que são classificadas de acordo com os comportamentos vocais ou de acordo com fatores externos ao próprio indivíduo. Uma disfonia (dificuldade na emissão da voz com as suas características naturais) é caracterizada de acordo com os diferentes padrões acústicos, diversas localizações anatómicas e etiologias variadas, devendo ser considerada como um sintoma e não como uma doença. As disfonias podem ser classificadas como funcionais, orgânico-funcionais e orgânicas.
A intervenção na área da voz deve ser multidisciplinar, devendo o utente ser avaliado pela especialidade de Otorrinolaringologia, com vista a compreender melhor o movimento associado às cordas vocais e se existe ou não lesão das mesmas. Após esta avaliação, o utente deve ser avaliado pelo TF que, em conjunto com o próprio utente e/ou familiares, delineia o plano de intervenção que melhor se adequa às necessidades e objetivos traçados pelos mesmos.

Gaguez
A “gaguez” é uma perturbação da fluência da comunicação em que a pessoa sabe exatamente o que pretende dizer, mas o seu discurso é caracterizado por repetições, prolongamentos, pausas inadequadas e/ou por bloqueios. Nalguns casos, podem ser observados também movimentos faciais ou de corpo enquanto a pessoa fala. O TF é responsável por intervir em casos de gaguez, habitualmente, após cerca de 3 meses de evolução destes episódios, sendo que a intervenção atempada é fundamental.

Leitura e escrita
As capacidades de leitura e escrita não são capacidades inatas ao ser humano, mas sim capacidades que necessitam de ser aprendidas e exploradas pelas crianças que com elas contactam. Deste modo, para que a criança consiga desenvolver por completo estas habilidades necessita de dominar a compreensão oral e, consequentemente a sua expressão, conseguindo receber e decifrar as mensagens que lhe são transmitidas, recorrendo por isso à sua memória dos diversos conceitos, organizando-os e descodificando-os na mensagem.

Alimentação
A deglutição é uma sequência de atos motores reflexos de contrações musculares que permite levar o alimento desde a cavidade oral até ao estômago, sendo constituída por 4 fases:

  1. Fase preparatória oral;
  2. Fase oral;
  3. Fase faríngea;
  4. Fase esofágica.

Quando qualquer uma das etapas supramencionadas sofrer alterações que comprometam os processos de hidratação e nutrição, o utente apresenta uma disfagia.

Motricidade orofacial
A intervenção do terapeuta da fala na área da motricidade orofacial abrange um trabalho com as estruturas e funções do sistema estomatognático, como a respiração, sucção, mastigação, deglutição, fala, mímica facial. Qualquer alteração deste sistema pode apresentar consequências nefastas tanto para a saúde oral, como para o bem-estar global do utente. Salienta-se que o trabalho do Terapeuta da fala nesta área pode abranger desde um recém-nascido até à população idosa.

Corpo Clínico

Mariana Pratas

Terapeuta da Fala
CP C-052212173